Efeito do Ômega 3 em traumas e lesões - Veg Nutrition

Efeito do Ômega 3 em traumas e lesões

Lesões e traumas são alterações patológicas no organismo que afetam a função de determinada parte do corpo e são muito comuns no meio do esporte. Tanto as lesões quanto os traumas geram um quadro de inflamação aguda, que caso não seja observada e acompanhada com cuidado podem levar a uma recuperação ineficiente e até infecções e outros  problemas generalizados.

O processo inflamatório depende de uma cascata de acontecimentos de produção de mediadores pró-inflamatórios e de radicais livres. Um dos protagonistas desse processo é o ácido araquidônico, que se liga nas membranas celulares desencadeando a metabolização de eicosanoides e citocinas pró-inflamatórios (moléculas envolvidas na transmissão de sinais e da repercussão da inflamação).

O ômega 3 pode ajudar diretamente na redução desse processo, através da inibição do metabolismo do ácido araquidônico. Uma de suas formas compete com o ácido araquidônico pelos receptores presentes na membrana e quando esse se liga inicia a produção de eicosanoides anti-inflamatórios, reduzindo a produção das moléculas inflamatórias.  Ademais, o ômega 3 pode interferir na expressão de genes inflamatórios inibindo a ação em fatores de transcrição.

Atualmente, vêm sido realizados diversos estudos sobre a eficácia da suplementação de ômega 3 em casos de traumas e lesões e sua relação com uma resposta positiva durante a recuperação e a diminuição de sequelas. Apesar de mais estudos serem necessários, essa estratégia vem se mostrado eficiente para diminuir a inflamação decorrente de lesões e traumas.

Em 2016 foi realizado um estudo com 25 indivíduos que sofreram de Lesão do Ligamento Cruzado Anterior (LCA), e foram submetidos à reconstrução desse ligamento. Essa lesão culmina com a formação de radicais livres de oxigênio que, em excesso, podem desencadear dano oxidativo na articulação do joelho. Os indivíduos foram divididos em dois grupos, um com suplementação diária de 2g de ômega 3 durante 15 dias após a cirurgia e o outro sem suplementação (grupo controle). Foram coletadas amostras de sangue e líquido sinovial de antes da cirurgia e dos 15 dias depois a fim de avaliar marcadores inflamatórios. Após os 15 dias, o grupo suplementado apresentou níveis significativamente menores dos marcadores avaliados, demonstrando o efeito protetor do ômega-3 na modulação inflamatória.

[1]       T. W. Rice, A. P. Wheeler, B. T. Thompson, B. P. DeBoisblanc, J. Steingrub, and P. Rock, “Enteral omega-3 fatty acid, γ-linolenic acid, and antioxidant supplementation in acute lung injury,” JAMA – J. Am. Med. Assoc., vol. 306, no. 14, pp. 1574–1581, 2011.

[2] Hootman JM, Dick R, Agel J. Epidemiology of collegiate injuries for 15 sports: summary and recommendations of injury prevention initiatives. J Athl Train. 2007;42(2):311–9.

[3] Calder PC. n-3 fatty acids, inflammation, and immunity—relevance to postsurgical and critically ill patients. Lipids. 2004;39(12):1147-1161

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