O impacto ambiental - pecuária

A alimentação e as escolhas alimentares não impactam somente na saúde do indivíduo, mas também estão relacionadas com diversas questões políticas e ambientais. Em relação ao impacto ambiental, vários aspetos de uma alimentação rica em produtos de origem animal se relacionam com a degradação do meio ambiente, em contraposto a uma dieta vegetariana que pode contribuir positivamente para a preservação ambiental.

O consumo de carnes depende do sistema pecuário, o qual pode ser extensivo ou intensivo. Independente do sistema de criação do gado, os impactos ambientais são massivos e devem ser levados em consideração.

O sistema extensivo consiste na criação a pasto e a consequente ocupação de grandes áreas. Para isso, espaços de vegetação nativa e biomas naturais são substituídos por pastagem. Cada gado precisa de 10000m² para engordar e o Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo, atualmente ocupando cerca de 200 milhões de hectares (o que equivale a um quarto do território nacional). Essa destruição dos biomas repercute em extinção de espécies e risco de desertificação, ou seja, perda da vida do solo anterior e transformação daquela área em um espaço improdutivo e inviável de se tornar novamente uma mata viva.

Já o modo intensivo de criação de gado não necessita de grandes áreas, entretanto os animais são criados em confinamento e são adotados diversos métodos tecnológicos. Como os animais não são livres, seus processos de crescimento e maturação ficam prejudicados, além de que devido à alta algomeração de animais, as condições sanitárias se tornam precárias, dessa forma são utilizados medicamentos como antibióticos de uso contínuo durante a criação, o que resulta em resíduos de antibióticos nas carnes, contaminação de lençóis freáticos e aumento do crescimento de superbactérias. Ademais, esses animais são alimentados à base de rações de soja e milho, o que interfere novamente nos solos naturais, pois apesar de não ser uma área ocupada pelo próprio gado, a vegetação natural precisa ser extraída para plantar os grãos, o que está novamente relacionado ao riso de desertificação.  

Tendo as duas formas de produção, percebe-se que o consumo de carne se relaciona com muitos outros fatores além da nutrição. Para quantificar, uma determinada área capaz de sustentar um único indivíduo consumindo carne poderia sustentar entre 12 e 30 indivíduos consumindo alimentos vegetarianos diversos.          Todos os aspectos apresentados demonstram um sistema de produção insustentável que impacta diretamente na saúde do meio ambiente, dos animais e dos consumidores. 

[1] Vegetarian Times [homepage na internet]. Vegetarianism in America. Disponível em: http://www.vegetariantimes.com/features/archive_of_editorial/667

[2] Elaine de Azevedo: Vegetarianismo. Departamento de Ciências Sociais. Centro de Ciências Humanas e Naturais. Universidade Federal do Espírito Santo. Vitória, ES, Brasil. 2013.

[3] Sérgio Greif. Vegetarianismo e preservação do meio ambiente. Sociedade Vegetariana Brasileira. Disponível em: https://www.svb.org.br/home/205-vegetarianismo/saude/artigos/17-vegetarianismo-e-conserva-ambiental

[4] Steinfeld H, Gerber P, Wassenaar T, Castel V, Rosales M, Haa C. Livestock’s Long Shadow: environmental issues and options. Rome: Food and Agriculture Organization of the United Nation; 2006.

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