Ômega 3 e demências

A depressão e as doenças degenerativas (como Parkinson e Alzheimer) são comorbidades que afetam o sistema nervoso e apresentam grande impacto nas vidas de seus portadores e da sociedade em geral, não apresentam causas específicas e podem estar relacionadas à alimentação, ao estilo de vida, ao estresse e ao envelhecimento, além de fatores genéticos associados.

Atualmente já se considera a alimentação um ponto chave tanto na prevenção como no tratamento dessas doenças. O déficit de alguns nutrientes está associado mais diretamente ao desenvolvimento dessas doenças e o ômega 3 é um deles.

O desenvolvimento da depressão está relacionado com a desregulação da comunicação entre neurônios, a qual se dá por meio de neurotransmissores. Para esse processo acontecer é necessário que as membranas celulares estejam em um bom estado, íntegras e dinâmicas. Quando ocorrem alterações nas membranas celulares, o que pode se dar por deficiências nutricionais, a transmissão de informações fica prejudicada.

Níveis adequados de DHA (uma das formas de ômega 3) estão relacionados com a homeostase das membranas celulares e consequentemente com a melhor neurotransmissão. Um dos neurotransmissores afetados é a serotonina, que atua no humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade e funções intelectuais. Níveis adequados de ômega 3 podem contribuir para uma boa sinalização de serotonina, participando da modulação desse neurotransmissor e aumentando sua disponibilidade durante o processo.

Além disso, ácidos graxos ômega 3 estão envolvidos com o controle de processos inflamatórios no organismo, e a depressão e as doenças degenerativas também estão associadas com o aumento de citocinas inflamatórias, devido a um estado de inflamação exacerbado. Esse aspecto também está relacionado com a proporção de consumo entre ω3 e ω6, sendo que se o consumo de ω6 é muito elevado, os processos inflamatórios são favorecidos.

Sendo assim, o consumo adequado de ômega 3 através de uma alimentação balanceada e, quando necessário, de suplementação, é importante para manter a saúde neuronal e contribuir para a prevenção de doenças neurológicas.

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